Como ler uma pesquisa de opinião: amostra, margem de erro e método
O que olhar antes de acreditar em números de pesquisa: quem foi ouvido, margem de erro, data e contratante.
Pesquisas de opinião aparecem em manchetes o tempo todo, mas os números só fazem sentido quando se sabe como foram obtidos. Ler uma pesquisa com atenção é simples se você souber olhar para poucos itens.
Amostra: quem foi ouvido?
Ninguém consulta toda a população; escolhe-se uma amostra. O que importa é o quanto ela representa o conjunto: tamanho, perfil de idade, escolaridade, renda e região devem se aproximar do público pesquisado. Amostras pequenas ou enviesadas, como enquetes de rede social em que só participa quem quer, não têm valor estatístico.
Margem de erro e nível de confiança
A margem de erro indica o quanto o resultado pode variar para mais ou para menos. Se um candidato tem 32% e outro 30%, com margem de dois pontos, a diferença pode estar dentro do erro, e falar em “liderança” é precipitado. O nível de confiança, geralmente 95%, diz com que segurança o resultado está dentro dessa margem.
Data, método e contratante
- Quando foi feita: a opinião muda; pesquisas antigas perdem valor.
- Como foi feita: presencial, telefone ou internet dão públicos diferentes.
- Quem contratou e quem realizou: a transparência sobre o contratante e o instituto é um bom sinal.
- Como a pergunta foi feita: a redação e a ordem das perguntas influenciam as respostas.
No caso de pesquisas eleitorais, a legislação exige registro na Justiça Eleitoral antes da divulgação, e os dados ficam disponíveis para consulta. Se uma pesquisa eleitoral não indica o número do registro, desconfie.
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