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[08/03/2019] São Paulo; "Os direitos das mulheres são os primeiros a serem negociados, sempre"

Por Carol Scorce  -  CartaCapital

Imagem Divulgação:

A cientista política Fhoutine Marie afirma que as revoluções virão da micropolítica e na ação direta

Durante as eleições presidenciais de 2018, o principal movimento de oposição aos conservadorismo liderado pelo então candidato Jair Bolsonaro (PSL) foi protagonizado pelas mulheres, sob a o lema #EleNão. Já empossado, um dos primeiros escândalos, e talvez o maior até aqui, são as denúncias de desvios de recursos do Fundo Partidário de candidaturas de laranjas do PSL. Como resposta à crise, parlamentares da base do presidente apresentam agora um projeto que quer acabar com as cotas de gênero. Para eles, o problema parece ser menos a corrupção, mas a obrigatoriedade de que as mulheres avancem nos parlamentos.

Para a cientista política Marie Fhoutine, a resposta das mulheres a guinada conservadora não pode ser outra senão mais participação, mais espaços ocupados por elas. Fhoutine, no entanto, vê com pouco otimismo os embates travados dentro das Câmaras e Assembleias. “Não haverá grandes mudanças nas instituições. A batalha ali será por redução de danos”, avalia.

Por outro lado, vê na ação direta, nas transformações do cotidiano, na sororidade e na micropolítica o antídoto contra o retrocesso.

CartaCapital: Um dos primeiros escândalos do governo Bolsonaro são as candidaturas de laranjas. Agora, políticos da base propõem o fim das cotas de gênero como solução. Há um desconforto com as mulheres ocupando mais espaços de poder? 

Fhoutine Marie: As candidaturas de laranjas são trágicas, e, ao mesmo tempo, chega a ser cômico o modo como o governo propõe lidar com a questão. As laranjas não nasceram nessa legislatura, e a solução, definitivamente, não é acabar com as cotas, mas aumentar a fiscalização para onde está indo o Fundo Partidário e pensar como as candidaturas femininas estão sendo construídas internamente. Ou seja, pensar dispositivos que deem conta de efetiva-las. Essas propostas deixam nítido que o governo tem um problema com as mulheres, com a participação política das mulheres.

CC: Pode ser ainda um ressentimento do movimento #EleNão, que se opunha abertamente ao presidente?

FM: Tantos as cotas como outras notificações para que os partidos distribuam a participação de maneira mais justa estão repercutindo. Apesar do #EleNão não ter provocado o efeito esperado, a gente teve um número expressivo de mulheres que se mobilizou contra o projeto do Bolsonaro. E eram mulheres de tendências partidárias diversas, mulheres sem tendência partidária, anarquistas, eleitoras do (João) Amoêdo, do (Geraldo) Alckmin.

A mobilização do #EleNão teve diversos efeitos positivos, e tem tudo a ver com os arranjos institucionais dos últimos anos. O número de parlamentares cresceu em participação feminina. Foi um crescimento de 50% no Congresso Nacional, cerca de 35% nas candidaturas estaduais, deputadas negras, trans, indígenas. Tem algo acontecendo que não se pode desprezar.

CC: Ainda assim elas ainda são minoria. 

FM: Fora das instituições temos visto uma mobilização bem interessante de mulheres. Não podemos pensar a política só do ponto de vista da instituição. Temos de olhar para o protagonismo das meninas secundaristas, as mobilizações contra o assédio, os blocos de Carnaval feministas. Embora tenhamos sofrido uma derrota eleitoral, tem muito luta acontecendo. Ela não acaba, ela se fortalece.

 

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