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[09/03/2019] Niteroi; A gente se vê por aí, Boechat.

Luiz Cláudio Latgé

Foto: Divulgação

Descinfio que a frase que expressa tanto da alma do Rio foi invenção do Boechat. Há quem enxergue na frase uma antropologia da informalidade, uma certa falta de compromisso. Mas não é nada disto. Quando Boechat inventou a tal frase, queria dizer exatamente o que ela diz: a gente se vê por aí. Não uma possibilidade remota, mas uma certeza. E esse encontro foi sempre bom. Na porta de casa, no pátio da escola, no trabalho, no rádio, no jornal, na TV, no futebol, no passeio de bicicleta, no restaurante, no avião entre Rio-São Paulo. E no táxi, claro! Boechat andou ruidosamente por toda parte. Algumas vezes esteve perto, outras mais distante, mas em algum momento topávamos com ele numa esquina e ele se juntava como se tivesse nos visto ontem para contar boas histórias, beber uma cerveja e rir de tudo. Nada escapava. O tempo todo repórter. Apurador, crítico, contudente. Mas, sobretudo, um bom amigo. O escritor argentino Ernesto Sábato estava perto de completar 100 anos quando o filho provocou uma conversa sobre a posteridade. Queria saber como o pai gostaria de ser lembrado. Sábato não citou nenhum de seus livros, nem sua ação na luta pela democracia no seu país. Queria ser lembrado como um bom vizinho. Boechat era esse cara. Um bom vizinho. Foi cedo demais. A gente se vê por aí, Boechat.

 

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