Letreiro
Turistas internacionais gastam US$ 5 bi no Brasil em 2018
Política > Nacional
Voltar Enviar noticias imprimir
[08/10/2018] Niteroi; O Brasil foi varrido por uma tsunami formada nas profundezas do que há de pior em nós.

Luis Cláudio Latgé

Foto: Divulgação

Foi isso o que aconteceu nesta eleição, movida pela raiva, o preconceito contra as diferenças, o autoritarismo, a mentira. A candidatura de Jair Bolsonaro foi impulsionada por 46% dos brasileiros e arrastou tudo à volta, mudou o mapa da política. Elegeu ou botou no segundo turno desconhecidos como o juiz Witzel, no Rio, ou Zema, em Minas. Fez de seu filho Flávio Bolsonaro senador pelo Rio, o outro, Eduardo, o deputado federal por SP mais votado da história e a histriônica Janaína Pascoal, a deputada estadual mais votada do mundo.Não pela atuação no impeachment, mas porque foi sondada para vice de Bolsonaro. Para quem reclamava da eleição de postes, Bolsonaro elegeu a fábrica toda. Varreu o PSDB do mapa eleitoral. O partido que, nas últimas seis eleições nunca teve menos de 40 milhões de votos, ficou com 5% do eleitorado. Uma pena. Um dos partidos mais organizados, com propostas e bons quadros. Não dá nem para o PSDB festejar o segundo turno em São Paulo, porque o seu candidato não representa o PSDB. Dória se travestiu de pitbull e abandonou Alckmin para apoiar o capitão e marquetear que fala grosso. Corre o risco de perder Minas também. O PMDB, que, historicamente, sempre teve a maior bancada do Congresso, se esvaziou. O DEM, que depois do impeachment e a ascensão de Rodrigo Maia na Câmara imaginou ressurgir, não conseguiu eleger César Maia para o senado no Rio, as duas vagas ficaram com aliados de Bolsonaro. Voltará a ter o tamanho que merece. As forças que se uniram para promover o impeachment deram um tiro no pé. O discurso raivoso contra o PT tornou-se incontrolável. O dono do pato da Fiesp, Paulo Skaf, vai ficar brincando na banheira e talvez venha a explicar os milhões que Temer arrecadou para ele... Provavelmente tentarão se alinhar com Bolsonaro. Como o chamado mercado saberá se compor e encontrar garantias para a economiano Posto ipiranga. Para a economia há quem pense que é até melhor que não haja tanta conversa na política. Mas as maiores bancadas saídas desta eleição serão do próprio PSL de Bolsonaro (que na eleição passada fez um deputado e nesta terá mais de 50), do PP, o Centrão que Alckmin namorava, e de pequenos partidos oportunistas que aderiram ao discurso belicoso. O PT também sai bem machucado da eleição. Levou um retumbante “não” em Minas, com o governador Fernando Pimentel em terceiro lugar, e com Dilma longe da disputa pelo senado. Não foi diferente no Rio e em São Paulo. Mas o partido botou Haddad no segundo turno e ainda fará uma bancada importante. Se mantém forte no Nordeste, provavelmente à frente de quatro estados. Pouco, muito pouco, para o partido que já se apresentou como a esperança do Brasil e hoje e virou símbolo de corrupção. Mas tem que agradecer a Ciro Gomes se o eleitorado de centro-esquerda não se perdeu totalmente. Não fosse ele, não haveria segundo turno. Enfrentar uma tsunami não é fácil para uma nação. Os sismógrafos falharam. As pesquisas e os analistas não enxergaram o voto envergonhado, a agenda de mentiras e falsidades nas redes, o discurso unilateral e sem contraditório, que se esquiva do debate. Bolsonaro soube expressar toda a raiva contida em fatia expressiva do eleitorado. Se apresentou como a restauração da ordem, da moral e dos costumes, prometendo mandar para a cadeia quem não acredita em deus e no progresso. Faz tempo o Brasil queria a renovação da política. Que bom que não teremos Romero Jucá, nenhum Sarney, nem Eunício Oliveira, que perdem o mandato e o fórum privilegiado. Mas os quadros que emergem lembraram muito a eleição de Collor. Quem são, de onde saíram, o que pensam, são mesmo capazes de fazer o Brasil melhorar? Não parece, consultando o pouco que é dado saber sobre os eleitos do capitão. O segundo turno vai nos dizer se queremos um cenário de destruição ou reconstrução. O eleitor deve olhar com cuidado para o mapa eleitoral e avaliar para onde as escolhas feitas no primeiro turno vão nos levar. Se acha que a democracia ainda é o melhor caminho. A democracia e as liberdades democráticas.

Fotos da notcia

Clique sobre a foto para ampliar
Notcias relacionada