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[24/05/2018] São Paulo: Jornalismo brasileiro perde Alberto

Fundador do Observatório da Imprensa, o jornalista Alberto Dines, morreu aos 86 anos na manhã desta terça-feira, 22, em São Paulo.

Alberto Dines nasceu no então Distrito Federal (RJ), em 19 de fevereiro de 1932. Iniciou sua carreira em 1952, como crítico de cinema da revista A Cena Muda.


No ano seguinte foi trabalhar como repórter na recém-fundada revista Visão, cobrindo assuntos ligados à vida artística, ao teatro e ao cinema. Um ano mais tarde passou a fazer reportagens políticas.

Filiou-se ao nosso Sindicato dos Jornalistas em 7 de junho de 1954. Em depoimento ao Centro de Cultura e Memória do Jornalismo (CCMJ), declarou “aí já me legalizei na ABI, no Sindicato, era tudo mais ou menos automático , logo que comecei a trabalhar como repórter de assuntos culturais da revista Visão”.

Passou a fazer reportagens políticas em 1953 e permaneceu na Visão até 1957, quando se transferiu para a revista Manchete, onde tornou-se assistente de direção e secretário de redação.

Em 1959, assumiu a direção do segundo caderno do jornal Última Hora, onde foi diretor da edição matutina e, mais tarde, das duas edições diárias (matutina e vespertina).

No ano seguinte foi nomeado editor-chefe da recém-criada revista Fatos e Fotos, tendo colaborado, nessa ocasião, no jornal Tribuna da Imprensa, então pertencente ao Jornal do Brasil. Ainda em 1960, convidado por João Calmon, dirigiu o Diário da Noite, dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, convertendo-o em tabloide vespertino.

JORNAL DO BRASIL
 
Dines ingressou em 1962 no JORNAL DO BRASIL, onde foi responsável por uma profunda reformulação que levou o jornal a se consolidar na vanguarda da imprensa nacional.

Durante sua passagem, o JB destacou-se pela criatividade em driblar a censura imposta pelos governos militares e pela defesa incansável da democracia e da liberdade de informar. Um exemplo marcante se deu quando da promulgação do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), em 13 de dezembro de 1968, quando coordenou a edição da célebre primeira página, que se valeu de recursos como a previsão do tempo – “Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos…” – e de um anúncio no alto da página: “Ontem foi o dia dos cegos”, como parte de uma estratégia para denunciar a censura imposta à redação a partir de então, em consequência da nova ordem política autoritária instalada.

Neste mesmo ano, ao discursar como paraninfo foi preso por ter feito um discurso citando a resistência do povo da Tchecoslováquia à invasão russa.

Relata esse episódio em detalhes, em depoimento ao Centro de Cultura e Memória do Jornalismo (CCMJ): “ Naquela época a coisa mais importante era a resistência do povo tcheco à opressão soviética …que foi realmente uma revolta muito importante e tinha a ver com imprensa, porque imediatamente o que havia de liberdade na Tchecoslováquia foi suprimido…” (*)

Ainda no JB, criou o Departamento de Pesquisa, a Editoria de Fotografia, a Agência JB e os Cadernos de Jornalismo. Um dos episódios que marcaram sua passagem pelo jornal foi a cobertura da deposição por golpe militar do presidente chileno Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973. Como a censura havia proibido a publicação de qualquer manchete sobre o assunto, Dines coordenou com o diagramador Ezio Esperanza a edição de uma primeira página sem manchete.

Jornalista, professor e biógrafo
 
Em 1963, criou e ocupou a cadeira de Jornalismo Comparado no curso de Jornalismo da PUC-Rio. Neste mesmo ano, dirigiu e colaborou regularmente com os Cadernos de Jornalismo e Comunicação editados pelo Jornal do Brasil.

Em 1974 após 12 anos, afastou-se da Fatos e Fotos e viajou para os Estados Unidos, onde à convite da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, foi professor visitante durante um ano.

Retornou em julho de 1975 e assumiu a chefia da sucursal carioca da Folha de São Paulo, convidado por Cláudio Abramo. Em 1980, Dines deixou a Folha de São Paulo, demitido por Boris Casoy, após escrever um artigo denunciando a repressão do governador Paulo Maluf à greve do ABC. Nesse período, escreveu a biografia do escritor Stefan Zweig.

Em seguida assumiu o cargo de secretário editorial da editora Abril, em São Paulo. Como diretor-editorial-adjunto, participou da criação de revistas com a Exame de Portugal e instituiu os cursos de extensão e aperfeiçoamento.

Em Lisboa, entre 1988 e 1995, como diretor do grupo Abril em Portugal e consultor editorial da Sojornal ¾ que edita o maior semanário português, o Expresso, e o único vespertino do país, A Capital. Em 1994 criou em Portugal o Observatório da Imprensa. Concluiu e editou a biografia de Antônio José da Silva, o Judeu, e o primeiro volume do livro Vínculos de Fogo.

Em abril de 1996, lançou a versão eletrônica do Observatório da Imprensa, jornal de crítica e debate sobre o jornalismo contemporâneo, que passou a ter uma edição na TV Educativa do Rio de Janeiro (atual TV Brasil) em maio de 1998, e meses depois passou também a integrar ao vivo a programação da Rádio e Televisão Cultura de São Paulo.

Em maio de 2005, foi lançado o programa de rádio diário, transmitido em emissoras públicas e educacionais. Os áudios dos programas estão disponíveis no site do Observatório da Imprensa no formato de podcasts.

Em fevereiro de 2016 foi ao ar o último programa inédito com entrevista a Anita Leocádia (filha do líder comunista Luis Carlos Prestes). Até março ainda foi possível assistir algumas reprises. E, depois disso, o programa não mais voltou, devido ao afastamento de Alberto Dines por motivos de saúde. Pela TV Cultura, o último programa foi ao ar em 29 de Abril de 2008, e o primeiro, em 05 de Maio de 1998.

Publicações
 
Vinte histórias curtas (contos, em co-autoria, 1960), Os idos de março e a queda de abril (co-autoria e organização, 1964), O mundo depois de Kennedy (1965), Jornalismo sensacionalista (em co-autoria, 1969), Comunicação e jornalismo (1972), Posso? (contos, 1972), O papel do jornal (1974), E por que não eu? (sátira política, 1979), A imprensa em debate (em co-autoria, 1981), Morte no paraíso – A tragédia de Stefan Zweig (bio¬grafia, 1981), O baú de Abravanel: uma crônica de sete séculos até Silvio Santos (biografia, 1990), Vínculos de fogo: Antônio José da Silva, o Judeu, e outras histórias da Inquisição em Portugal e no Brasil(biografia, 1992, volume 1), 20 textos que fizeram história (1992), As transformações da revolução global e o Brasil (1995), Diários completos do capitão Dreyfuss (organizador, 1995).

Fonte: Sindicato dos Jornalistas no Município do Rio de Janeiro.

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