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[11/02/2018] Shell deita e rola nos eventos de Brasília, depois de lobby denunciado por diário britânico

Viomundo  -  viomundo.com

Foto: Divulgação

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Como os participantes do jantar com Cármen Lúcia não estão identificados nas fotos divulgadas do evento do Poder360,  virou uma caçada estilo Wally descobrir quem são os três da Shell. Para facilitar, os circundamos na cor laranja. Em primeiro plano, à esquerda, Flávio Ofugi Rodrigues, chefe de Relações GovernamentaisAo seu lado, todo sorridente, ainda que meio escondidoo presidente André Araújo. À direita, logo na frente, Tiago de Moraes Vicente, Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios. Foto: Sérgio Lima/Poder 360

por Conceição Lemes

Desde 20 de junho de 2017, quando lançou o Poder360-Ideias, dois dos sete eventos que o Poder360 realizou tiveram a presença de petroleiras.

Tais eventos são jantares promovidos para executivos, empresários, investidores e jornalistas.

Segundo o portal, “são uma extensão do jornalismo praticado pelo Poder360, com os mesmos valores, qualidade, precisão e credibilidade”

O primeiro, em 17 de julho de 2017, teve como convidado o presidente da Petrobras, Pedro Parente.

Na ocasião, Parente disse aos jornalistas presentes que a privatização da estatal não fazia parte da agenda da empresa:

“Não acho que a sociedade queira a privatização. Não está na agenda agora”.

DESFAÇATEZ, DEBOCHE? CINISMO?

Desde setembro de 2016, quando anunciou o seu plano de “desinvestimento” — na verdade, a venda de ativos importantes da Petrobrás –, Parente já entregou às petroleiras internacionais por mixarias, sem licitação, várias joias da coroa brasileira, dentre as quais:

*Campos de petróleo de pós-sal em águas profundas de Tartaruga Verde (50%) e Baúna (100%)

*100% do Complexo Petroquímico de Suape e Citepe

*Campos de petróleo terrestres de Sergipe (Siririzinho e Riachuelo), Ceará (Fazenda Belém), Rio Grande do Norte (Riacho da Forquilha e Macau), Bahia (Buracica e Miranga) e Espírito Santo (Fazenda São Jorge, Cancã, Fazenda Cedro e Lagoa Parada)

*Campos de petróleo em águas rasas de Sergipe (Caioba, Camorim, Dourado, Guaricema e Tatuí) e Rio Grande do Norte (Curimã, Espada, Atum e Xaréu)

*Nova Transportadora do Sudeste (NTS)

* Oferta pública de ações da Petrobras Distribuidora (BR)

*Liquigás

*Termobahia – Usinas térmicas Celso Furtado e Rômulo de Almeida

*Campo de Maromba, na Bacia de Campos

*Cinco conjuntos de campos terrestres (totalizando 19 concessões), localizados nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Sergipe.

*Três conjuntos de campos terrestres (totalizando 50 concessões),localizados nos estados do Rio Grande do Norte e Bahia

*Sete conjuntos de campos em águas rasas (totalizando 30 concessões), localizados nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Rio de Janeiro e São Paulo, incluindo campos importantes como Enchova, Pampo, Badejo, Linguado e Merluza

*Campo de gás de Azulão

*Campo de gás de Juruá

*Transportadora Associada de Gás (TAG)

Isso sem falar nos leilões de campos de pré-sal, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que estão sendo feitos com base no modelo de partilha deixado pela presidenta Dilma Rousseff.

Os preços são superiores às vendas de Parente. Mas, politicamente falando, é o futuro do Brasil que está indo embora.

Desde 2017, já foram vendidos os seguintes campos de pré-sal:

*Carcará (em águas profundas)

*Sul de Gato do Mato

*Entorno de Sapoinhoá

*Norte Carcará

*Peroba

*Alto de Cabo Frio Oeste

*Alto de Cabo Frio Central

Efetivamente, diante disso tudo, não dá para chamar Pedro Parente de mentiroso quando ele diz que não vai privatizar a Petrobrás.

Na verdade, Parente está doando. Depois que ele e Michel Temer entregarem às multinacionais todos os ativos importantes da Petrobrás, só vai ficar uma casca vazia da petroleira brasileira, que não vai valer nem preço de banana.

O jantar com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra Cármen Lúcia, em 29 de janeiro de 2018, foi o segundo evento do Poder360 com a presença de petroleira.

Agora, atente à lista dos executivos e respectivas empresas que desfrutaram do jantar com a ministra Cármen Lúcia e a sua assessora Mariangela Hamu:

* André Araújo, presidente da Shell no Brasil

*Flávio Ofugi Rodrigues, chefe de Relações Governamentais da Shell

*Tiago de Moraes Vicente, Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios da Shell

*André Clark, presidente da Siemens no Brasil

* Wagner Lotito, vice-presidente de Comunicação e Relações Institucionais da Siemens na América Latina

* Victor Bicca, diretor de Relações Governamentais da Coca-Cola Brasil

*Camila Amaral, diretora jurídica da Coca-Cola Femsa

*Júlia Ivantes e Delcio Sandi, Relações Institucionais da Souza Cruz

*Camila Tápias, vice-presidente de Assuntos Corporativos da Telefônica Vivo

* Marcello D’Angelo,  representante da Estre Ambiental

Resultado:

Shell, 3

Siemens, 2

Coca-Cola, 2

Souza Cruz, 2

Vivo, 1

Estre Ambiental, 1

Além do provável  encanto do Poder360 pelo setor petrolífero, o placar acima evidencia também seu interesse especial pela Shell.

Coincidentemente, foi nesse jantar que Cármen Lúcia investiu contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que o STF não reanalisaria a prisão a partir da segunda instância, que o beneficiaria.

Pautar o assunto em função de um caso específico seria “apequenar o Supremo”, ela disse.

Uma afirmação sinfônica para os ouvidos dos três executivos da Shell, uma vez que Lula, caso eleito em 2018, já se comprometeu a anular a MP 795/2017, conhecida como a MP da Shell, profundamente lesiva ao Brasil.  Ela vai beneficiar não só a Shell mas todas as petroleiras estrangeiras. 

Mas, uma coisa é certa: a Shell foi flagrantemente privilegiada pelos organizadores do evento.

1) Tinha maior número de executivos no jantar.

2) O seu presidente foi estrategicamente posicionado à mesa. Ao lado esquerdo, era o mais próximo da presidente do STF, Cármen Lúcia.

Sua imagem está circundada por laranja. Do mesmo lado, também marcado de laranja, quatro cadeiras atrás, Flávio Ofugi Rodrigues, chefe de Relações Governamentais da Shell.

À direita, na mesma posição que André Araújo, da Shell , estava André Clark, circundado de azul que assumiu a presidência da Siemens do Brasil, em novembro de 2017.

Diga-se de passagem, Clark bisou no jantar-evento do Poder360. Ele participou também do rega-bofe que teve como convidado Pedro Parente.

Na ocasião, era presidente da unidade da espanhola Acciona para Brasil, Bolívia, Uruguai e Paraguai.

O fato é que os executivos da Shell, especialmente o seu presidente no Brasil, estavam feitos pinto no lixo, de tão felizes.

Para vocês mesmos avaliarem, pesquisamos as imagens dos três executivos da Shell na internet. Depois, comparamos com as imagens do jantar.

Como os participantes não estão identificados nas fotos publicadas do jantar do Poder360, virou uma caçada estilo Wally descobrir quem são os três executivos da Shell.

Para facilitar, fizemos um círculo em volta na cor laranja. As fotos, de Sérgio Lima, fazem parte de um conjunto de 20 imagens de divulgação do evento. Acompanhe-nos.

Onde Cármen Lúcia estava, o presidente da Shell, André Araújo, estava por perto, sempre risonho

André Araújo, presidente da Shell, estrategicamente posicionado à mesa. Ao lado esquerdo, era o mais próximo da presidente do STF, Cármen Lúcia. Quatro cadeiras depois, Flávio Ofugi Rodrigues, chefe de Relações Governamentais 

Os três Wally da Shell sentaram-se do lado esquerdo da mesa. De trás para frente, Tiago de Moraes Vicente (Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios), Flávio Ofugi Rodrigues (chefe de Relações Governamentais) e André Araújo (presidente)

Em primeiro plano, Tiago de Moraes Vicente, seguido de Flávio Ofugi Rodrigues

O presidente da Shell, André Araújo, era o próprio pinto no lixo de tal feliz com a fala da ministra Cármen Lúcia

A ação dos três no jantar seria lobby descarado, como o feito, em março de 2017, pelo ministro do Comércio Exterior do Reino Unido, Greg Hands, junto ao governo brasileiro, que beneficiou a própria Shell e as demais petroleiras estrangeiras?

Relembrando: de acordo com telegrama obtido pelo Greenpeace, cujo conteúdo foi publicado pelo diário britânico GuardianHands esteve no Rio, Belo Horizonte e São Paulo. Ele se encontrou com Paulo Pedrosa, do Ministério das Minas e Energia, fazendo lobby para reduzir os impostos e as licenças ambientais das petroleiras britânicas Shell e BP.

Menos de seis meses depois, o governo Temer deu R$ 1 trilhão em isenções fiscais às empresas de petróleo durante os próximos 23 anos. A Folha gritou fake news e tentou desqualificar o cálculo, mas Carlos Rittl, do Observatório do Clima, observou no próprio diário conservador paulistano que é um absurdo fazer tal concessão ao mesmo tempo em que se prioriza cortar a aposentadoria dos brasileiros.

Dois meses depois, Shell e BP, empresas em nome das quais o ministro britânico fez lobby, dominaram os leilões para exploração do pré-sal.

Com esse histórico, faria sentido a presidente do Supremo Tribunal Federal escolher justamente um jantar com a presença de executivos da Shell para dar uma estocada em Lula, que promete acabar com o bem-bom da petroleira no principal ativo dos brasileiros, o pré-sal?

Na maioria dos países da Europa Ocidental, onde a magistratura é toda de carreira, certamente seria algo absolutamente escandaloso Cármen Lúcia participar desse tipo de evento e mandar recado a um ex-presidente da República.

Na Inglaterra seria inimaginável um Law Lord, ou seja, um dos integrantes da mais alta corte do Reino Unido (desde 2005, Supreme Court of the United Kingdom)  fazer o que a presidente do Supremo brasileiro fez.

Aqui, pode não ser ilegal, mas não há a menor dúvida de que é contra as regras da moralidade e da ética.

Encontros como esse colocam Cármen Lúcia sob suspeição para julgar ações envolvendo não apenas a Petrobrás e as petroleiras estrangeiras, mas todas as empresas com interesses bilionários no STF. Ou não?

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