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[11/01/2018] A um mês do Carnaval, Rio fica à sombra de Marcelo Crivella

Por Carola Solé  -  AFP  -  CartaCapital

Foto: Divulgação

Passistas em Copacabana. Crivella diz que corte não teve motivação religiosa

O prefeito, evangélico, cortou o orçamento da festa alegando necessidade financeira. Para muitos, houve motivação religiosa

O Carnaval é sagrado no Rio de Janeiro. No entanto, o prefeito Marcelo Crivella não concorda com a festa e cortou metade das subvenções para o desfile deste ano, submetendo as escolas de samba a uma verdadeira corrida de obstáculos.

Quando receberam a notícia em junho, as 13 escolas chegaram a ameaçar suspender o espetáculo e deixar cair por terra o Carnaval mais famoso do mundo. Mas a situação se acalmou.

E a um mês para que a loucura do Rei Momo tome conta do Rio, as máquinas trabalham a todo vapor na Cidade do Samba, onde são elaborados os majestosos carros alegóricos e as fantasias para o Sambódromo.

Haverá desfile com as doses de criatividade e reinvenção que sempre caracterizaram o Carnaval. E, diante do evidente incômodo de Crivella, tirando a poeira do seu lado mais irreverente. "Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco" foi o enredo escolhido pela Mangueira, uma das escolas mais tradicionais e populares, cuja letra repete: "Pecado é não brincar o Carnaval!".

Toda uma declaração de intenções impulsionada por seu jovem diretor artístico, Leandro Vieira.

"O corte (da subvenção) à metade nos obrigou a uma adaptação de recursos para fazer um Carnaval bonito, grandioso, adaptado a essa nova realidade", disse à AFP este carnavalesco de 34 anos e firme defensor da tradicionalidade da festa, quando as escolas desciam das comunidades com o que tinham à mão.

Reaproveitar estruturas antigas e simular a exuberância com brilho falso fazem parte dos recursos que serão usados nos desfiles deste ano que, além de tudo, devem ter um cuidado extra com a segurança após os acidentes de 2017.

Mulher trabalha na montagem de fantasias da Portela na Cidade do Samba, no bairro de Santo Cristo

"Foi um ano difícil", ratifica Fábio Pavão, membro da diretoria da Portela, vencedora junto com a Mocidade do Carnaval do ano passado. "As escola precisam do apoio do poder público, e quando a gente tem um prefeito que gosta do Carnaval fica muito mais fácil", aponta.

Responsabilidade ou religião

Muitas escolas veem o corte de subvenções de Crivella como a concretização de uma guerra anunciada.

No ano passado, um mês depois de assumir o cargo, o ex-bispo evangélico de 60 anos deixou o Rei Momo plantado e não apareceu para lhe entregar as chaves da cidade, como fizeram todos os seus antecessores. Tampouco compareceu para assistir os desfiles.

Embora Crivella tenha dito que os cariocas não aceitariam que fosse até lá com essa "máscara", foi criticado por menosprezar o maior evento turístico da cidade, que gera cerca de um bilhão de dólares a cada ano.

Alheio aos comentários, Crivella justificou a grave crise que a cidade atravessa para entregar apenas um milhão de reais, e não dois, a cada escola do Grupo Especial. "Não tivemos dinheiro para pagar a subvenção integralmente. A minha responsabilidade como prefeito é enorme, não posso deixar faltar remédios nos hospitais, não posso deixar os alunos sem merenda", lembrou na quinta-feira passada o prefeito.

Leandro Vieira, uma das vozes do Carnaval que mais o enfrentam, não duvida que Crivella tenha outras motivações. "Para a doutrina evangélica, o Carnaval é a festa do diabo", lança o carnavalesco da Mangueira.

"O evangélico pode achar isso, mas o prefeito da cidade do Rio de Janeiro não pode. É uma tradição que traz receita poderosa para os cofres da cidade. E isso é o que mais espanta. Porque isso mostra que esse pensamento conservador pode ir contra até a lógica financeira. Aí eu já acho até criminoso", manifestou.

Passista e músicos durante desfile em Copacabana, em 6 de janeiro

O presidente da Riotur, Marcelo Alves, assegurou à AFP que não houve razões políticas ou religiosas no corte de recursos. "O que a gente tem que entender é que ele não é um folião. É uma questão que temos que respeitar. Mas entre ele não ser folião e não gostar do Carnaval está muito distante. Ele gosta, tanto gosta que, pelo que eu soube, até cantou em uma reunião, já até gravou um samba", disse Alves, assegurando que não há um dia em que Crivella não ligue para ele preocupado com os preparativos.

De fato, a Riotur trabalhou para que a iniciativa privada apoiasse as escolas, que se financiam por meio da Prefeitura, dos direitos televisivos, patrocinadores e, algumas, com generosas doações de padrinhos do jogo do bicho. Finalmente, a Uber anunciou um apoio generoso e o governo federal também contribuiu.

As escolas agradeceram, mas lamentaram que não tenham chegado antes, quando estavam planejando os desfiles com um orçamento menor. Agora a grande dúvida é se Crivella irá ao Sambódromo.

"Espero que ele esteja na Sapucaí, porque é a sua função. Quem sabe ele não assiste ao desfile e gosta, né?", diz com malícia Pavão.

*Leia mais na AFP 

 

 

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