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[01/05/2017] São Paulo; 100 anos depois... A Luta Continua! Nenhum Direito a Menos!

Escrito por Julio Turra  -  CUT

Foto: Divulgação

Há 100 anos, uma vigorosa Greve Geral iniciou um período de conquistas de direitos.

1º de maio será mais um dia de luta contra as reformas nefastas do ilegítimo Michel Temer.

A CUT convoca a realização de atos de 1º de Maio em todo o país após a realização da Greve Geral em 28 de abril por “Nenhum Direito a Menos!”

Os atos do Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora deste ano serão, assim, uma continuidade da luta contra o desmonte da Previdência e da legislação trabalhista, contra a terceirização ilimitada, ataques promovidos pelo governo Temer que, como a CUT sempre alertou, são o conteúdo do golpe que o levou ao poder de forma ilegítima.

Não é casual que nas assembleias e mobilizações que prepararam o sucesso da Greve Geral de 28 de abril, inclusive nas bases de sindicatos filiados a outras centrais sindicais, o grito de “Fora Temer!” apareceu de forma natural como decorrência da violência dos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários de seu governo e base parlamentar, a serviço dos interesses dos banqueiros e empresários interessados em aumentar a exploração da classe trabalhadora!

Os atos de 1º de Maio vão reafirmar a vontade de todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil de prosseguir ainda com maior energia a luta  para derrotar as contrarreformas em curso, no momento em que a trabalhista vai ao Senado e a da Previdência inicia sua tramitação na Câmara.

Sim, pois ninguém quer perder direitos duramente conquistados pelas gerações anteriores. “Direitos não se negociam, se ampliam”, como sempre disse a CUT.

Há 100 anos...

A luta continua por nenhum direito a menos, 100 anos depois da primeira Greve Geral realizada no Brasil que, começando em São Paulo, desdobrou-se em outros pontos do país, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul.

Em 1917 a questão social para os governos da “República Velha” (1889-1930) era “um caso de polícia”. As lutas por reivindicações da jovem classe operária que se formava no Brasil -  constituída em larga medida por imigrantes italianos, espanhóis e portugueses que traziam de seus países de origem uma experiência de luta sindical - eram tratadas na base da pura e simples repressão.

O mundo estava em plena 1ª Guerra Mundial (1914-18) e o ano de 1917 começava com a eclosão da Revolução Russa, que será vitoriosa em outubro com a instalação de um governo de operários e camponeses. As condições de vida dos trabalhadores e setores populares no Brasil eram afetadas pela alta dos preços, que não eram acompanhados pelos salários, que veio somar-se a jornadas de trabalho de até 12 horas, inexistência de leis trabalhistas e proteção social, utilização maciça de trabalho infantil e de mulheres em condições insalubres.

A Greve Geral de 1917 em São Paulo, começou na região onde hoje está a sede nacional da CUT, quando em 9 de julho, diante de uma fábrica têxtil, é assassinado pela polícia o jovem anarquista José Martinez. Uma multidão tomou a rua Caetano Pinto no Brás, de onde saiu o seu féretro em direção ao cemitério Araçá, na maior mobilização já vista na capital paulista.

Em três dia já eram 70 mil trabalhadores em greve, e havia sido constituído um Comitê de Defesa Proletária que comandava o movimento que tomou conta da cidade por quase trinta dias (o governo municipal abandonou a capital).

A força do movimento levou os patrões e o governo a abrir negociações com os representantes dos grevistas, algo impensável para a elite da época, que obtiveram parte de suas reivindicações:   liberdade de todas as pessoas detidas por motivo de greve;  respeito ao direito de associação para os trabalhadores; não dispensa de qualquer operário por participação no movimento grevista; abolição do trabalho de menores de 14 anos nas fábricas; abolição do trabalho noturno de mulheres e de menores de 18 anos; aumentos salariais  variando de 25% a 30% segundo o tamanho das empresas.

Na pauta da Greve Geral havia ainda a exigência de jornada de 8 horas, de 50% de acréscimo por horas extra de trabalho, garantia de trabalho permanente, entre outras reivindicações que passaram a fazer parte das pautas de todas as lutas que sucederam a Greve Geral de 1917, até serem conquistadas e transformadas em lei.

Foi através da luta e da Greve Geral que os primeiros direitos trabalhistas foram arrancados! Será através de muita luta e da Greve Geral que vamos defender os nossos direitos trabalhistas e previdenciários da destruição!

Viva o 1º de Maio!

Viva a luta da classe trabalhadora pelos seus direitos!

 

 

 

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