Letreiro
Em tom de verde e amarelo, Brasília vive dia diferente
mais brasil comunicações > Comportamento
Voltar Enviar noticias imprimir
[18/02/2017] Niteroi; Eu e "myselfie" estamos em conflito.

Luiz Cláudio Latgé

Foto: Divulgação

Essa obsessão coletiva de roubar a cena está tornando a vida mais difícil. Não há cenário que resista. Já estava me acostumando à confusão dos celulares nos pontos turísticos. Entende-se que o sujeito queira mostrar que esteve no Pão de Açúcar, que foi ao Museu do Amanhã, que andou de VLT, que foi à exposição do Picasso. Mas não há mais território protegido. A representação toma lugar da realidade. Não é novidade. Falamos disto desde a Caverna de Platão. E desde Andy Wharol somos personagens de um mundo que fabrica e consome suas próprias referencias, em busca de 15 minutos de fama. Agora, com as redes sociais não há mais filtros. Postamos em nossos próprios canais. Nos tornamos a mensagem. I-reporter, YouTube. Está tudo em nossas mãos e isto é ótimo. Mas estamos perdendo o discernimento, chegamos a um ponto que posamos diante de um acidente de trânsito. Nos sobrepomos aos fatos. Tomamos a representação pela realidade. Destruímos o valor da contemplação e da reflexão. Espantamos a solidão espalhando nossas imagens por redes de amigos e viramos "memes" de nós mesmos. A representação da representação. De tal forma que não há mais poesia possível. O mais lindo pôr do sol, a noite mais estrelada terão sempre uma cara deformada saltando em primeiro plano. Numa situação destas, só Gertrude Stein nos salva: "a rose is a rose is a rose."

Fotos da notcia


Clique sobre a foto para ampliar
Notcias relacionada