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[15/02/2017] São Paulo; O Exército e eu.

Fernando Coelho

Foto: Divulgação

Fui dispensado de servir ao Exército logo que cheguei em São Paulo, em 1966 e me apresentei (uma manhã de ressaca mortal). Era um dos sonhos do meu pai. Fui dispensado por excesso de contingente, um pleonasmo militar para excluir os fraquinhos, banguelas, muito maltrapilhos e arrimos de família. Sem saber, eu era arrimo de família. Não entendi direito. Então, tudo o que eu queria era exatamente não estar nessas fileiras. Fui salvo pelas minhas qualidades de pau de arara sem rumo e choroso. O Exército teve um período de existência triste, negro, maldito. Em nome de uma revolução sangrenta, apoiada por antidemocratas da política e da iniciativa privada, matou, torturou, foi cúmplice de torturadores, reprimiu, invadiu casas de jornalistas, escritores, trabalhadores. Coronéis eram demônios. E veio um general e distendeu, botou a tropa no lugar, e auxiliou no encaminhamento do Brasil à democracia. É preciso respeitar as instituições das forças armadas. Todos os países fazem isso. No organograma de um país livre, elas são essenciais na solidificação de uma ideia sobre proteção territorial e defesa constitucional. Lamento que o Exército brasileiro, fundamental, e que mudou muito a sua maneira de se relacionar com a pátria e com o mundo, mais lógico, mais sensível e mais cidadão, seja usado pelos presidentes da República para caçar mosquitos e policiar as ruas, ou porque a PM, obsoleta, se rebela, ou, porque, os demais profissionais são ineficazes e tacanhos. Ou pelas duas razões. Triste ver homens preparados para defender as fronteiras nacionais, nas ruas, fazendo policiamento frugal, em época de carnaval. Um terrível erro de estratégia e de gestão do Governo, de hoje e de antes. Paga-se a duas forças, com princípios militares, para proteger a sociedade acossada pela violência em disparada. O Exército é qualificado, mais do que a PM. O Exército tem uma missão. A PM é corrupta, violenta e rebelde. A responsabilidade da determinação das missões é dos governos. Que erra na base: salários miseráveis por missões suicidas, para soldados e policiais civis. Enquanto para áulicos, deputados, senadores, juízes, etc., que não zelam pela segurança pública, a vida nababesca bancada pelo povo, sob as bênçãos do ar condicionado. Enquanto os professores viverem de bicos e forem escorraçados, como o são, o Brasil vai ter mais traficantes, bandidos, políticos corruptos e polícia sanguinária. Educação, é o diagnóstico. Botem o bloco dos professores na rua e o país será um país. Por enquanto, apenas um feudo de Brasília. E só.

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