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[04/08/2015] Porto Alegre; Uma receita ampliada para salvar o Brasil

Juremir Machado da Silva  Correio do Povo

Foto: Divulgação

É muito fácil melhorar o Brasil. A receita é tão simples quanto a de uma massa rapidinha. É só aumentar o desemprego. Se o desemprego crescer, haverá mais mão de obra disponível e o custo do trabalho cairá. Junto com ele, despencará a inflação. O desemprego é a solução. Como é que Dilma não vê isso? Joaquim Lévy está lá para instruí-la. Uma boa receita principal exige algumas receitinhas secundárias. Para evitar que o salutar crescimento do desemprego seja sabotado por mecanismos de compensação, é importante diminuir o acesso ao seguro-desemprego. Isso já foi feito. É muito fácil melhorar o país: basta acabar com o bolsa-família, aumentar drasticamente a idade das aposentadorias, privatizar o ensino superior de cabo a rabo, diminuir os serviços públicos e aumentar os impostos. A receita infalível é: menos serviços e mais impostos.

Mas não mais impostos para todos. Só para a plebe. A combinação perfeita é: incentivos fiscais para transnacionais e mais impostos para o consumidor. A fórmula do sucesso econômico de um país emergente está na divisão do bolo: a maior parte deve ficar fora do prato para que a menor parte possa continuar acumulando até que chegue, no máximo em 200 anos, a hora de compartilhar. O problema do Brasil é ter taxas de emprego que constrangem países desenvolvidos. Onde já se viu ter desemprego abaixo de dois dígitos? É facílimo melhorar o país: bastar parar de gastar com os mais pobres. Temos compromissos maiores. Por exemplo, a privatização de recursos por meio da dívida pública. Dogmas não se contestam. Juros devidos a especuladores são dogmáticos. Quanto mais se paga, mais se deve.

Por que mesmo uma unidade da federação deve ser escorchada pela União com juros que fazem as dívidas se tornarem impagáveis? A União não deveria transferir recursos de quem tem mais para quem tem menos de modo a ajudar os entes federados? Nada disso. Contraria a receita. A União deve ser um FMI interno. É muito fácil melhorar a nação: basta privatizar estradas, a educação, a saúde e a segurança pública. Impostos sempre devem incidir sobre salários, jamais sobre lucros. Grandes fortunas não devem ser taxadas. Seria injusto com quem mais se esforça para acumular e legar como herança. O Brasil de antes era muito melhor. A maioria ficava no seu canto. A minoria vivia bem. Deixaram os ressentidos chegar ao poder. Tudo se inverteu. A maioria começou a comprar carro barato e a engarrafar as ruas. Sem contar que os aeroportos viraram rodoviárias. É fácil melhorar o Brasil. É só dar um passo atrás. De quebra, acaba-se com a corrupção, que só aparece, como está provado, quando a esquerda está no poder. Uau!

Há coisas que estão diante dos olhos de todos, mas não são vistas. O problema do Brasil são privilégios como desemprego baixo, seguro-desemprego alto e outras mamatas como aposentadorias, bolsa-família, auxílios e sabe-se lá mais o quê. O dogma principal é o seguinte: a gente vem ao mundo para trabalhar e produzir o superávit primário que garante o leite dos banqueiros. Não para vagabundear com ajuda do Estado. É fácil melhorar o país: basta piorá-lo. Batata.

Outra saída para salvar o Brasil é entregar para a Lava-Jato todos os que fazem leituras literais.

A ironia é sempre a primeira vítima.

 

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