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[10/12/2013] Londres; China, uma nova potência também no mundo dos vinhos

Marcelo Justo  -  Carta Maior

Foto: Divulgação

Ninguém pensa na China quando se fala de vinho, mas os números indicam que já é o oitavo produtor do mundo, um crescimento de quantidade e de qualidade.

Londres - A área de cultivo de vinhedos em nível mundial caiu cerca de 5% e a venda de vinhos estagnou em função da crise econômica global, mas o impacto não é igual em todas as partes do planeta. Uma das zonas “desacopladas” dessa tendência é a China. “É uma área de grande crescimento em um momento no qual os problemas econômicos mundiais impactaram o consumo dos países centrais, sobretudo na Europa”, disse à Carta Maior Sarah Kemp, editora de “Decanter”, publicação líder em temas vitivinícolas em nível mundial e organizadora do concurso mundial de vinhedos que ocorre todos os meses de setembro em Londres.

Ninguém pensa na China quando se fala de vinho, mas os números indicam que já é o oitavo produtor vitivinícola do mundo. Os consumidores chineses bebem mais de 1,6 bilhões de garrafas de vinho por ano, uma cifra que crescerá outro bilhão para 2015. É o segundo comprador mundial do famoso rosé de Bourdeaux e, em 2012, importou 266 milhões de litros de vinho engarrafado, 10% a mais do que em 2011.

É certo que estas cifras descomunais tomam uma dimensão diferente se se considera que a China tem quase 1,4 bilhões de habitantes, uma quinta parte da população mundial. Com este parâmetro populacional, o consumo é de uma garrafa por habitante por ano. Se tomamos como medida a população economicamente ativa (cerca de 900 milhões), a cifra seria de duas garrafas por pessoa. É certo também que a China se converterá, só pela força da densidade populacional e mudança nos hábitos na segunda consumidora mundial em 2016.

“Esta mudança se deve a uma mudança na estrutura social chinesa nos últimos anos. Há uma classe média cada vez maior que hoje está consumindo vinho.
Ambas as coisas seguirão aumentando, o que é uma grande oportunidade para os países da América Latina que produzem vinhos”, indicou à Carta maior o professor de Estudos Latinoamericanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Sun Hongbo.

A mudança é notável se comparamos com o que ocorre nas regiões tradicionalmente vitivinícolas do mundo. O consumo do vinho caiu em 2012 na França, Itália, Espanha e Reino Unido. “O setor vitivinícola não se recuperou da crise de 2008”, concluiu em outubro a Organização Internacional dos Vinhedos e do Vinho.

À crise se somaram mudanças nos hábitos culturais com a promoção da vida saudável. No final de 2011 um estudo do governo francês estimou que a tradicional taça de vinho diária começava a ser coisa do passado. Segundo as cifras da FranceAgriMer, divisão do Ministério da Agricultura francês, só 17% dos franceses bebem com regularidade em comparação aos 21% de 2005. “Os consumidores são cautelosos frente a produtos que podem ser danosos se consumidos em excesso. E há mudança de hábitos. A soda e os sucos de laranja estão substituindo o vinho na mesa dos franceses”, assinala o informe.

Ao lado desse decréscimo no consumo há uma diminuição da terra dedicada ao cultivo. Na Espanha, França, Itália e Portugal houve um declínio de 14% na superfície cultivada que passou de 3,3 milhões de hectares para 2,8 milhões em 2012. Em comparação, nesse mesmo ano, a quantidade de terra destinada a vinhedos na China aumentou de 300 mil hectares, em 2000, para 570 mil.

À quantidade pode-se acrescentar uma mudança na qualidade. Em 1998, um grupo de chineses que viviam no estrangeiro compararam vinhos chineses com os da Califórnia e da França. “O grupo qualificou os vinhos chineses como os piores. Muito ruins. Asquerosos. Como xarope para a tosse”, recordava a BBC em uma recente nota dedicada ao tema. Desde então as coisas mudaram. Em 2011, uma diminuta bodega de Nigxia, norte do país, ganhou uma medalha de ouro com o Gran Reserva de 2009 superando seus rivais franceses. No grande prêmio anual organizado por Decanter el Londres os chineses conseguiram prêmios em 2011 competindo com mais de 14 mil vinhos de umas 60 regiões de todo o mundo.

Este articulista, que viveu quatro meses na China em 2011, pode testemunhar que o vinho tinto chinês que se adquire nos supermercados é mais do que honesto, o mesmo não ocorrendo com o branco, reconhecendo sempre que sobre gostos não há nada escrito. Como outras nações do mundo, um importante segmento dos consumidores chineses prefere o vinho estrangeiro por razões que vão da qualidade e da tradição ao esnobismo, uma clara oportunidade para produtores como Brasil, Chile e Argentina.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

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